” O travesti está numa missão impossível e sabe disso; ele sabe que ainda é um dos poucos redutos do sonho no mundo. Ele não é da área moral, ele é da área artística. O travesti não tem par. Quem é o par do travesti? A prostitutinha tem lá o seu amante, seu cafetão. E o travesti? Ele é só. O travesti nu em Copacabana desafia todos os pudores. Quem está nu ali na esquina, o homem ou a mulher nele? Ninguém está nu, pois ele viaja na identidade e se disfarça o tempo todo; por isso, pode ficar nu na rua – ele não é ninguém, ele não aspira a um ‘eu’ fechado, ele é um ‘eu’ contemporâneo, ele é descentrado, movente, ele é o ‘sujeito’ moderno. O travesti tem algo de caubói – e desperta a mesma admiração que um John Wayne de biquíni ‘fio dental’. Porque você está na paz; ele está na guerra. Você passa no seu Audi e vê na terceira margem do rio, uma Marlene Dietrich de botas no meio dos faróis e lá se vai o pai-de-família perdido de loucura. Todos somos ingênuos e caretas vistos daquele ângulo, mas todos somos travestis: ‘maus’ vestidos de ‘bons’, idiotas vestidos de sábios, egoístas de generosos, bichas de machões. O travesti nos fascina porque assume a verdade de sua mentira. ”
” O travesti está numa missão impossível e sabe disso; ele sabe que ainda é um dos poucos redutos do sonho no mundo. Ele não é da área moral, ele é da área artística. O travesti não tem par. Quem é o par do travesti? A prostitutinha tem lá o seu amante, seu cafetão. E o travesti? Ele é só. O travesti nu em Copacabana desafia todos os pudores. Quem está nu ali na esquina, o homem ou a mulher nele? Ninguém está nu, pois ele viaja na identidade e se disfarça o tempo todo; por isso, pode ficar nu na rua – ele não é ninguém, ele não aspira a um ‘eu’ fechado, ele é um ‘eu’ contemporâneo, ele é descentrado, movente, ele é o ‘sujeito’ moderno. O travesti tem algo de caubói – e desperta a mesma admiração que um John Wayne de biquíni ‘fio dental’. Porque você está na paz; ele está na guerra. Você passa no seu Audi e vê na terceira margem do rio, uma Marlene Dietrich de botas no meio dos faróis e lá se vai o pai-de-família perdido de loucura. Todos somos ingênuos e caretas vistos daquele ângulo, mas todos somos travestis: ‘maus’ vestidos de ‘bons’, idiotas vestidos de sábios, egoístas de generosos, bichas de machões. O travesti nos fascina porque assume a verdade de sua mentira. ”
EXU ARRANCATOCO